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Conversas sobre o Vinho - David Teixeira.

David Teixeira é escanção. O David é um homem do norte com uma imensa paixão pelo vinho. Da uva ao copo este jovem somellier é uma enciclopédia viva com uma sede de aprendizagem igual ou superior à do ensino. 


Certificado em vários cursos especializados como o Curso de Técnicos de Informação e Animação Turística, realizado em Viseu; o Curso de Formação Pedagógica Inicial de Formadores, com a respectiva obtenção do CAP; e Curso de Organização de Eventos Nacionais e Internacionais. Membro da Associação de Escanções de Portugal. Certificado de Formação, nível I e II, pela Wine&Spirit Education Trust. Membro da Confraria dos Vinhos Verdes, com o título de “Oficial” e da Associação de Barman de Portugal

Na sua carreira constam passagens pelo restaurante Le Buffet, no Hotel Mira Corgo; pelo restaurante DOC de Rui Paula; pelo Hotel MonteBelo Aguieira Lake Resort & Spa; pelo Grupo Dux, no restaurante Dux Palace Viseu’s e atualmente podemos encontrá-lo a ele, e à sua maravilhosa seleção de vinhos, no Restaurante Largo do Paço, no Hotel Casa da Calçada Relais & Châteaux. Aventureiro, David está sempre pronto a desafios e foi com naturalidade que aceitou o nosso de ser o primeiro convidado a falar-nos sobre o vinho.


1 – Começamos pelo óbvio. Para ti o que é um sommelier / escansão e qual a sua principal função nos dias de hoje?

- É sem dúvida o profissional responsável por tratar de toda a organização da garrafeira e engenharia da carta de vinhos, bem como o serviço dos mesmos.

2 – O que te fez apaixonar por este vasto mundo dos vinhos?

- Nasci em Mesão Frio uma pequena Vila nas Portas do Douro. Filho e neto de agricultores, as minhas memórias são de correr nas vinhas e entre as pipa e tonéis e de ver o carinho e paixão com que os meus pais e avós falavam do vinho.

3 – Eça de Queiroz uma vez disse: “diz-me o que comes, dir-te-ei quem és. Achas fútil ou pretensioso definir uma pessoa não pelo que ela come, mas sim pelo vinho que ela bebe?

- Não posso concordar de todo. Seria injusto da minha parte rotular os clientes pelo que bebem porque o vinho que para mim será bom, não será necessariamente bom para o meu próximo.


4 – Vamos fazer um jogo. Em vez de propores o winepairing perfeito para uma refeição, pensa nos vinhos que mais gostas e que primeiro te vêm à memória para harmonizar os seguintes pratos: Bacalhau à Brás, Iscas de Cebolada e Pudim Abade de Priscos. 

- Para o Bacalhau à Brás o "Foudre", para as Iscas de Cebolada, o Arinto da Peceguina e para o Pudim Abade de Priscos, o Espumante Ribeiro Santo Blanc de Noir.

5 – Com tantas castas existentes não só em Portugal mas também pelo mundo fora, para ti qual a que melhor se define como monocasta e qual o blend mais consensual ao palato dos portugueses?

- Os portugueses estão habituados aos blends, é aqui que entra um pouco o trabalho do sommelier ao falar e explicar os vinhos e fazer com que o cliente saia um pouco da sua zona de conforto e mostrar vinhos novos seja blend ou monocastas.

6 – Cada vez mais aparecem pessoas interessadas no vinho mas com um conhecimento muito reduzido. Que cursos ou livros recomendas fazer e ler para se adquirir não só conhecimento mas acima de tudo cimentar o gosto por este néctar dos deuses? 

- Inicialmente fazer o curso de escanção numa Escola de Hotelaria e Turismo para se ir familiarizando com alguns termos técnicos deste vasto mundo. Depois sim ir lendo livros da especialidade, tais como a Historia do Douro, Atlas Mundial do Vinho, o Prazer do Vinho do Porto e o Grande livro do Vinho.


7 – Vamos às perguntas de resposta rápida:

- Qual o teu vinho nacional favorito e com o que é que o acompanhas?

- Não tenho um favorito, mas poderia dizer que beberia Redoma branco 2010 com um belo prato de Polvo.

- Qual o teu vinho internacional favorito e com o que é que o acompanhas?

- Gosto de muitos. O que me surge de repente é o Vega Sicília - Único 2009 com uma boa carne assada.

- Qual a tua região vínica nacional favorita e porque?

- Como não poderia deixar de ser gosto muito do Douro, não tenha eu nascido eu nessa bela região. A diversidade de solos e de altitudes, oferece-nos vinhos únicos e de perfis diversos.

- Que vinho bebeste e que infelizmente já não voltarás a beber?

- Foi um Madeira de 1778, aberto pelo Dirk Niepoort. 


8 – Para terminar pedimos-te que nos indiques quais são os vinhos que temos de ter sempre em casa nos seguintes escalões de preço:

Até 5€: Muros Antigos, Lua Cheia Vinhas Velhas Branco e RS Bairrada Tinto;

Até 10€: Rola Rose; Zom Reserva Tinto e H.O. Moscatel Galego; 

Até 25€: Reserva do Comendador Tinto; Oboé Vinhas Velhas Branco e Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo Reserva Rosé; 

Até 50€: Conceito Branco e Quinta da Gricha Talhão 8 Tinto.