Pedro Henrique Ramos aka Pedrones é natural do Brasil. Foi com a imigração dos seus avós portugueses para terras de Vera Cruz que começou toda a sua história. Pedro apaixonou-se pelo vinho através da paixão que o seu pai lhe passou pelo néctar de Baco, no entanto foi só em 2014 quando se mudou do Rio de Janeiro para Lisboa qie iniciou os seus estudo, tendo-se formado pelo WSET3.
- Sommelier é um vendedor de sonhos, é quem interpreta o gosto/desejo do cliente e através da sua seleção de vinhos que tenta surpreendê-lo da melhor forma. Seja num restaurante, distribuidora ou loja, um sommelier tem que ter sede por saber mais, tem que estudar muito e provar muito para chegar à seleção de vinhos que acredita ser a melhor para os não só para o gosto dos clientes como do seu empregador. O que mais me desafia é que cada produtor e cada região pode ensinar-nos coisas diariamente. Considero-me um eterno aprendiz que tenta acompanhar as tendências e aprender com os mais sábios.
2 – O que te fez apaixonar por este vasto mundo dos vinhos?
- Quando eu tinha 15 anos numa viagem com a família visitámos as caves do Vinho do Porto. O meu pai, filho de portugueses e apaixonado pelos vinhos portugueses deu-me um pouco para provar e contou-me algumas histórias, inclusive a de que existe uma profissão que é a de provador de vinhos, fiquei fascinado com isto e nunca mais me esqueci. Além disso o meu pai sempre teve uma boa adega em casa e quando sacava de lá umas "belas pomadas" eu ficava fascinado com o carinho e com o prazer que ele tinha em beber, até que chegou a minha vez de partilhar o néctar com ele. Foi um caminho sem volta.
3 – Eça de Queiroz uma vez disse: “diz-me o que comes, dir-te-ei quem és". Achas fútil ou pretensioso definir uma pessoa não pelo que ela come, mas sim pelo vinho que ela bebe?
- Acho pretensioso. Definir uma pessoa pelo vinho que ela bebe é apenas um filtro vazio e raso. É quase como determinar a personalidade de alguém de acordo com a sua altura ou peso. Não faz sentido.
- Para as Pataniscas de Bacalhau um Champagne Blanc de Blancs, para o Coelho á Caçador um Brunello di Montalcino e para o Arroz doce um Madeira Terrantez
5 – Com tantas castas existentes não só em Portugal mas também pelo mundo fora, para ti qual a que melhor se define como monocasta e qual o blend mais consensual ao palato dos portugueses?
- Vou responder a esta questão por diversas fases. Como monocasta nacional a Touriga Nacional, como monocasta mundial a Cabernet Sauvignon. A nível de blends nacionais, Portugal tem por tradição os “Vinhos de Lote”, sejam eles de vinhas velhas do Douro (que podem contar com 20-30 variedades diferentes de castas), e/ou o tradicional Blend do Dão com Touriga, Alfrocheiro, Jaen e Tinta Roriz. Quanto a um blend mais mundial, sem dúvida o blend Bordalês. Ao juntar Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Petit Verdot etc. criam-se vinhos bastante gastronómicos e com uma certa potência, na qual os portugueses estão habituados e consideram ser de grande valor.
6 – Cada vez mais aparecem pessoas interessadas no vinho mas com um conhecimento muito reduzido. Que cursos ou livros recomendas fazer e ler para se adquirir não só conhecimento mas acima de tudo cimentar o gosto por este néctar dos deuses?
- Recomendo que vejam o conteúdo que estou a criar em conjunto com a minha mulher no meu instagram @Pedrones_somm onde procuro falar e exemplificar diferentes assuntos em torno do vinho. Sejam novatos ou conhecedores é sem dúvida um canal que descomplica e que promove o humor do mundo vínico para não se tornar algo cansativo.
Livros existem imensos, mas recomendo muito a Jancis Robinson que é a papisa do conhecimento vínico e tem uma forma de escrever e interpretar muito fácil e maravilhosa. Outros livros que recomendo são o “Especialista de Vinhos em 24 Horas” para iniciantes, o "Atlas do Vinho" para quem já tem algumas noções e o antástico trabalho da Wine Folly (Madeline Puckette), sommelier e designer gráfica, que junta mapas com desenhos explicativos da melhor forma.
- Qual o teu vinho nacional favorito e com o que é que o acompanhas?
- São tantos! Mas sou fã de Baga com mais idade (+10 anos) e para acompanhar um leitão, é divinal.
- Qual o teu vinho internacional favorito e com o que é que o acompanhas?
- É difícil escolher apenas um. Vou dividir entre verão e inverno. Sendo assim para o verão escolhe Champagne. Sou louco por ele e acompanha praticamente tudo que quiseres comer. Para o inverno, um Brunello di Montalcino devido à sua complexidade. Acompanho com um risoto e ossobuco.
- Qual a tua região vínica nacional favorita e porque?
- O Douro. É simplesmente uma terra de sonhos que parece ter sido desenhada a lápis. Nunca vi no mundo algo igual que me encha os olhos com tanto brilho.
- Que vinho bebeste e que infelizmente já não voltarás a beber?
- Jerez Fino Amontillado. Não posso dizer que não o voltarei a beber, mas é um vinho com um perfil salgado e muitas vezes amargo. É algo difícil de gostar, mas acredito que seja uma questão de hábito e treino do palato para se aprender.
Até 5€: Vinho Verde fresquinho como o caso do Muralhas. É quase o mesmo efeito do que beber uma cerveja fresquinha num dia quente. Quinta de Cabriz é outra opção;
Até 10€: Colheitas de bons produtores que entregam excelente qualidade. Exemplos: Douro - Vallado & Crasto; Dão - Casa de Santar & Casa da Passarella; Alentejo - Cortes de Cima & Maçanita, entre outros;
Até 25€: Vallado field Blend;
Até 50€: Carrocel do Álvaro Castro.