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Vodafone Mexefest - A Cidade em Movimento - Parte 2

O tempo passa e nem se dá por ele. Já faz uma semana que terminou o Vodafone Mexefest, mas as memórias e emoções estão tão presentes que parece que tudo está a acontecer agora. Depois de uma sexta-feira a correr, sábado tentámos aproveitar ao máximo tudo o que este festival nos tinha para oferecer.


Fotografias oficias Vodafone Mexefest © André Ferreira © Jorge Boiça
E começámos a tarde pelo Príncipe Real, onde estava a decorrer o Mercado da Música Independente. Ficámos bastante agradados com a oferta e com a quantidade de pessoas a procurar novidades musicais de editoras independentes portuguesas. Descemos pela Rua do Salitre a caminho da Avenida da Liberdade, onde aproveitámos para ver os mupis com as fotografias da autoria de Paulo Segadães, sobre o tema "A música mexe na cidade". Continuamos caminho até à Praça dos Restauradores, onde ao final da tarde vimos a projeção do texto de Inês Meneses, mesmo junto à já habitual grafonola. Ainda era cedo, mas o Coletivo Bomba Oxigénio já metia o Tanque a dançar. Em estilo matiné, e com artistas como Mary B, Ricardo Guerra, Carlos Cardoso e Tiago Santos, foi o warm up perfeito antes de passarmos pela Blackout Room no Cinema São Jorge. Infelizmente e por falta de aviso do briefing para imprensa, após o inicio dos espetáculos não é permitida a entrada, ficámos um pouco aborrecidos, mas percebe-se o porque da restrição, afinal trata-se de uma sala totalmente às escuras onde a música é simplesmente para ser ouvida e sentida.


They're Heading West, fotografias oficias Vodafone Mexefest © André Ferreira © Jorge Boiça

Castello Branco, fotografias oficias Vodafone Mexefest © André Ferreira © Jorge Boiça
Saídos do São Jorge, descemos até à Casa do Alentejo, onde os portugueses They're Heading West estavam em fase final de atuação, mas do pouco que vimos, deu para perceber que foi algo muito bom e intenso, aplausos e mais aplausos, foi o que se ouviu da sala completamente lotada. Na mesma rua, na Sociedade de Geografia de Lisboa, o brasileiro Castello Branco e a sua música popular fizeram-nos recuar no tempo em que a música brasileira era mesmo boa, e não se limitava a "funkaria" e coisas do género, um artista que desconhecíamos e passámos a adorar. Após esta atuação veio a indecisão da noite: descobrir Georgia no Teatro Tivoli BBVA, ou ficar pelo Coliseu e ver a irreverente e excêntrica atuação de Ariel Pink? Decidimos esticar as pernas até ao "shuttle" e apanhar boleia para ver Georgia, e caramba, que surpresa de todo o tamanho, a sua eletro-pop deixou-nos o esqueleto com todos os ossos a abanar.


Georgia, fotografias oficias Vodafone Mexefest

Da Chick, fotografias oficias Vodafone Mexefest

Infelizmente não ficámos até ao fim pois o Tanque chamava por nós. Teresa de Sousa, mais conhecida como Da Chick, e o seu funk que nos leva de imediato ao Bronx dos anos 80 antes de surgir o hip-hop. Ritmos quentes e contagiantes não faltaram numa atuação que só pecou por ser curta. Seguiu-se a senhora da noite, Merrill Nisker, ou Peaches para os amigos, trouxe ao Tanque aquele bocadinho de loucura que faltava. Erotismo, provocação, deboche, que deixa qualquer pessoa pudica de queixo caído, mas com uma energia e garra que só ela tem, e atenção que já não é criança nenhuma. Sobe a colunas, rega pessoas de champanhe e caminha sobre as mãos do público presente. De enaltecer o momento em que puxou Da Chick para o palco para cantarem em conjunto "Close Up". Depois de tanta euforia, só se acalmava mesmo com um salto ao Coliseu, onde Patrick Watson e a sua banda deixaram cada um dos presentes contagiados pelas suas lindas baladas, às quais é impossível ficar-se indiferente.


Peaches, fotografias oficias Vodafone Mexefest © André Ferreira © Jorge Boiça

Patrick Watson, fotografias oficias Vodafone Mexefest © André Ferreira © Jorge Boiça
Mais que um simples festival de música, o Mexefeste é cada vez mais um festival de encontro de diferentes artes e cultura, de gostos e estilos. É um festival que traz as pessoas à cidade e que as deixa viver o momento. É um festival de gosto eclético, mas agradável a todos os que gostam de partir à descoberta de nova, e boa música. Este ano já terminou, mas o nosso desejo é que volte ano após ano, e que nós vamos estando presentes